Cem Anos de Solidão
”Há Cem anos de solidão, que trabalha com essas catástrofes políticas, com a natureza da América Latina, como se fossem ciclos recorrentes de tragédias sem fim”
Milton Hatoum é um dos mais importantes romancistas brasileiros contemporâneos, conhecido por uma prosa densa que entrelaça memória, identidade e o universo da Amazônia. Nascido em Manaus, construiu uma obra que dialoga com a grande tradição literária ocidental e latino-americana.
Suas recomendações revelam um leitor formado no cânone da literatura das Américas e da Europa do século XIX e XX. A lista reúne pilares do realismo mágico e do regionalismo — Cem Anos de Solidão, Pedro Páramo, Grande Sertão: Veredas, Fogo Morto, Vidas Secas e Os Sertões —, ao lado de clássicos europeus como Madame Bovary e Um Coração Simples, de Flaubert, e Histórias da Meia-Noite, de Machado de Assis. O conjunto aponta para um leitor atento à linguagem literária rigorosa, ao peso da terra e da história na ficção, e ao modo como a prosa pode capturar experiências humanas à margem dos centros.
”Há Cem anos de solidão, que trabalha com essas catástrofes políticas, com a natureza da América Latina, como se fossem ciclos recorrentes de tragédias sem fim”
”Li as Histórias da meia-noite, porque achava que tinha algo a ver com suspense. E não parei mais de ler.”
”Grande sertão: veredas, que é um texto de um lirismo extraordinário, fala também da violência brasileira e do sertão, dos grupos armados, dos grupos políticos entre aspas, dos jagunços e dos acertos de contas, da barbárie”
”O próprio Pedro Páramo, do Rulfo, fala da revolução mexicana de uma maneira muito singular, por meio de fantasmagorias.”
”O conto Um coração simples, do Flaubert, para mim, ainda menino, foi impactante.”
”Não se iludam: Madame Bovary não é tão fraca e submissa quanto pensam. Uma mulher adúltera, naquela época e naquele lugar, não pode ser tão fraca e submissa.”
”E depois, no Colégio Estadual, quando li trechos de Os sertões.”
”Descobri o Brasil em Manaus, quando li um conto do Machado de Assis chamado A parasita azul.”